sábado, 23 de maio de 2009

Eu e Tu .




Dois! Eu e Tu, num ser indispensável! Como
Brasa e carvão, centelha e lume, oceano e areia,
Aspiram a formar um todo, — em cada assomo
A nossa aspiração mais violenta se ateia...

Como a onda e o vento, a Lua e a noite, o orvalho
[e a selva
— O vento erguendo a vaga, o luar doirando a
[noite,
Ou o orvalho inundando as verduras da relva —
Cheio de ti, meu ser de eflúvios impregnou-te!

Como o lilás e a terra onde nasce e floresce,
O bosque e o vendaval desgrenhando o arvoredo,
O vinho e a sede, o vinho onde tudo se esquece,
— Nós dois, de amor enchendo a noite do degredo,

Como partes dum todo, em amplexos supremos
Fundindo os corações no ardor que nos inflama,
Para sempre um ao outro, Eu e Tu, pertencemos,
Como se eu fosse o lume e tu fosses a chama...

António Feijó, in 'Sol de Inverno'

3 comentários:

  1. A fase do amor em que temos a sensação de que um e outro são apenas um, é maravilhosa!

    Um beijo, bom domingo, CON

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  2. Quando duas pessoas fazem amor
    Não estão apenas fazendo amor
    Estão dando corda ao relógio do mundo

    Mário Quintana
    abraços

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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