quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Timidez .




Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve. . .

— mas só esse eu não farei.

Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes..

— palavra que não direi.

Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,

— que amargamente inventei.

E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...

— e um dia me acabarei.

Cecília Meireles, in 'Viagem'

9 comentários:

  1. GRANDE poema da Cecília Meireles, poetisa intemporál!

    Parabéns pela partilha querido amigo.

    Resto de boa semana.

    Beijos.

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  2. OLA MANUEL, MARAVILHOSO POEMA DE " CECILIA MEIRELES " BELISSIMA ESCOLHA...VOTOS DE UMA OPTIMA NOITE!!!
    BEIJOS DE AMIZADE,


    SUSY

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  3. Amo Cecília Meireles!
    Mas que a vida podia ser mais fácil podia!
    Bjs.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Oi Manuel
    Desejo a voce!!! E
    "Desejo a vocês... (Amigos)
    Fruto do mato
    Cheiro de jardim
    Namoro no portão
    Domingo sem chuva
    Segunda sem mau humor
    Sábado com seu amor
    Filme do Carlitos
    Chope com amigos
    Crônica de Rubem Braga
    Viver sem inimigos
    Filme antigo na TV
    Ter uma pessoa especial
    E que ela goste de você
    Música de Tom com letra de Chico
    Frango caipira em pensão do interior
    Ouvir uma palavra amável
    Ter uma surpresa agradável
    Ver a Banda passar
    Noite de lua cheia
    Rever uma velha amizade
    Ter fé em Deus
    Não ter que ouvir a palavra não
    Nem nunca, nem jamais e adeus.
    Rir como criança
    Ouvir canto de passarinho.
    Sarar de resfriado
    Escrever um poema de Amor
    Que nunca será rasgado
    Formar um par ideal
    Tomar banho de cachoeira
    Pegar um bronzeado legal
    Aprender um nova canção
    Esperar alguém na estação
    Queijo com goiabada
    Pôr-do-Sol na roça
    Uma festa
    Um violão
    Uma seresta
    Recordar um amor antigo
    Ter um ombro sempre amigo
    Bater palmas de alegria
    Uma tarde amena
    Calçar um velho chinelo
    Sentar numa velha poltrona
    Tocar violão para alguém
    Ouvir a chuva no telhado
    Vinho branco
    Bolero de Ravel
    E muito carinho meu."
    Um grande abraço, amigo...
    Até Breve...
    Ângela

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  6. Manoel, que belo poema!

    Quanta sensibilidade na escolha..


    É sempre um prazer vir aqui...


    Beijos

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  7. A vivencia é solitaria e interna, pouco se mostra ao mundo.
    beijos

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  8. O que fez ao olhar da "rapariga com brinco de pérola"? ou ela consegue «divinare» sem olhos?

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