domingo, 15 de novembro de 2009

Profecia




Nem me disseram ainda
para o que vim.
Se logro ou verdade,
se filho amado ou rejeitado.
Mas sei
que quando cheguei
os meus olhos viram tudo
e tontos de gula ou espanto
renegaram tudo
— e no meu sangue veias se abriram
noutro sangue...
A ele obedeço,
sempre,
a esse incitamento mudo.
Também sei
que hei-de perecer, exangue,
de excesso de desejar;
mas sinto,
sempre,
que não posso recuar.

Hei-de ir contigo
bebendo fel, sorvendo pragas,
ultrajado e temido,
abandonado aos corvos,
com o pus dos bolores
e o fogo das lavas.
Hei-de assustar os rebanhos dos montes
ser bandoleiro de estradas.
— Negro fado, feia sina,
mas não sei trocar a minha sorte!

Não venham dizer-me
com frases adocicadas
(não venham que os não oiço)
que levo caminho errado,
que tenho os caminhos cerrados
à minha febre!
Hei-de gritar,
cair, sofrer
— eu sei.
Mas não quero ter outra lei,
outro fado, outro viver.
Não importa lá chegar...
O que eu quero é ir em frente
sem loas, ópios ou afagos
dos lábios que mentem.

É esta, não é outra, a minha crença.
Raios vos partam, vós que duvidais,
raios vos partam, cegos de nascença!

Fernando Namora, in "Relevos"

7 comentários:

  1. Caro novo amigo!
    Linda foto e lindo poema.
    Já que gosta tanto de café como eu, será um imenso prazer, trazer junto com ele, um bolo bem gostoso pra apreciarmos juntos!
    Grande abraço

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  2. Ufa! Duro esse poema, difícil, mas apixonado.
    beijos

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  3. Manuel
    Tenho selo para ti...

    a vida é muitas vezes traiçoeira...

    Hoje foi um dia de más recordações que eu Nunca esqueço...pois mudou muito a minha vida




    VOLTAR DE NOVO



    Hoje dia 15
    15 de Novembro
    Dia com história
    Dia com memória
    Como é mau recordar...

    Lá longe...
    O carro apareceu
    E sem piedade...
    Sobre mim voou...
    E trouxe dor...
    Dor que foi sentida...
    E que foi dorida
    Por mim... e...
    Por todos ao meu redor
    E os sonhos...
    E a vida...
    Ficaram desfeitos.
    Num pedaço de chapa
    Toda retorcida...
    E sem vida...

    Apenas comigo
    Um coração pequeno
    Quase a parar...
    E a querer continuar...


    Os anos passaram...
    A vida continuou...
    E o sofrimento ficou...

    Agora já longe
    Acordo de novo!...
    Foi bom ter ficado...
    Porque a vida...
    Depois de tanta dor...
    Começou...
    Novamente a sorrir!...

    LILI LARANJO

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Olá querido amigo! Bom dia!Passando para te ler e como sempre, interessante tuas postagens. Linda esta imagem assim como o poema. Parabéns!
    Uma semana toda iluminada pra ti!
    Beijo Azul!
    Rosana

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  6. BOM DIA!
    Vim lhe convidar, para brindarmos juntos na festa surpresa que a Curiosa preparou para o nosso Querido a amigo João.
    A champanhe já está gelando e bolo ficou uma delicia.
    Venha para cá...Vamos brindar mais esta alegria em companhia do João!!!
    Agora vou, tenho muitos para convidar..

    Fiquei muito feliz com os seus carinhos no blog.
    Muito obrigada.
    Sandra

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  7. Manuel Marques

    Lindissimo e extasiante poema!

    Grato por nos fazer conhecê-lo!

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