quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Janela do Sonho.




Abri as janelas
que havia dentro de ti
e entrei abandonado
nos teus braços generosos.

Senti dentro de mim
o tempo a criar silêncio
para te beber altiva e plena.

Mil vezes
repeti teu nome,
mil vezes,
de forma aveludada
e era a chave
que se expunha
e fecundava dentro de mim.

Já não se sonha,
deixei de sonhar,
o sonho é poeira dos tempos
é a voz da extensão
é a voz da pureza
que dardejava na nossa doçura.

Quando abri as tuas janelas
e despi teus braços
perdi a vaidade
e a pressa,
amei a partida
e em silêncio abri,
(sem saber que abria)
uma noite húmida
em combustão secreta
desmaiado no teu ombro
de afrodite.

Carlos Melo Santos, in "Lavra de Amor"

3 comentários:

  1. "uma noite húmida
    em combustão secreta
    desmaiado no teu ombro
    de afrodite."
    Lindíssimo!

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  2. Sempre fui a "senhora sonho", tenho procurado estar mais em estado de vigília! Assim é o mundo!
    Abraços fraternais
    Léia

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