quarta-feira, 12 de maio de 2010

Ama-se um Corpo como Instrumento de Amar .




Ama-se um corpo como instrumento de amar, como forma de onanismo de que o trabalho é dele. Ou como êxtase de um terror paralítico. Ou como orientação ao impossível que não está lá. Com raiva desespero de quem já não pode mais e não sabe o quê. Como avidez insuportável não de o ter tido na mão, porque o podemos ter nela, sofregamente, boca seios o volume quente harmonioso da anca e tudo esmagar até à fúria, ter o que aí se procura e que é o que lá está, mas não o que está atrás disso e é justamente o que se procura e se não sabe o que é nem jamais poderemos atingir.

Vergílio Ferreira, in "Em Nome da Terra"

3 comentários:

  1. Olá Manuel, ontem tive que fazer um descanso, esgoto-me no dia da cor! Não fiz visitas, não vim cá.
    Já disse que gosto de Vergílio? Gosto muito, no entanto considero-o de uma grande complexidade, sempre fico agarrada às suas palavras. Assim superficialmente considero, que amar está muito além de amar um corpo, mas tudo passa também pelo corpo!
    Beijinhos,
    Manú

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  2. Concordo com a Manu...amor é tudo junto e misturado...beijo

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  3. O Vergílio Ferreira sabia bem do
    que falava. Beijinhos e obrigada
    pelas suas visitas aos meus blogues.

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