segunda-feira, 7 de junho de 2010

A Maravilha da Vida é Tudo Nela Ter Justificação .




Desabafo dum amigo, que não encontra justificação para o seu pecado mortal, que é viver. Viver ao sol, gratuitamente, como um lagarto. Respondi-lhe que a maravilha da vida é tudo nela ter justificação. É, da mais rasteira erva ao mais nojento bicho, não haver presença no mundo que não seja necessária e insubstituível. Que, do contrário, era faltar na terra esta admirável plurivalência, que faz de uma tarde de sol, de trigo e de cigarras o mais assombroso espectáculo que se pode ver. O medir depois a distância que vai da formiga ao leão, da urtiga ao castanheiro, de Nero a S. Francisco de Assis, é uma casuística que não tem nada que ver com a torrente de seiva que inunda o mundo de pólo a pólo.
Foi-se, e à tarde apareceu-me com um belo poema.

Miguel Torga, in "Diário (1938)"

5 comentários:

  1. Amigo, entendi o "Presente" como uma afirmação de estar entre os meus. Obrigada!
    Sobre o texto, só não concordo que tudo seja insubstituível. Mas sob cada olhar, pode ser assim.
    Para mim, viver é complicado, sim, mas é fascinante e é tão misterioso que não queremos sequer pensar na morte.
    Abraços!

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  2. Oi Manuel!!!
    O mundo e sua organização, tudo isso é obra de Deus...
    Boa semana....
    Beijinhos
    Ângela Guedes

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  3. Sim a organização do mundo é uma obra divina.Tudo tem uma função e substituir é impossível.

    Abços.
    Passei para conhecer seu espaçpo. Estou participando da Blogagem coletiva- Vida Simples.

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  4. Olá Manuel

    É para mim um prazer imenso ler Torga.

    Um dia destes conto no meu blogue, como foi o meu primeiro contacto com a obra dele há 49 anos.

    "esta admirável plurivalência, que faz de uma tarde de sol, de trigo e de cigarras o mais assombroso espectáculo que se pode ver"

    Eu sei do que o poeta fala.

    Tenho ainda nos olhos e na alma, essa imagem fantástica.

    Um abraço

    viviana

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  5. A pluralidade e diversidade fazem da vida essa maravilha que nos encanta. Tem momentos que faz nosso horror, mas o que seria do belo se não existisse o feio para lhe dar significação.
    LLindo texto.
    beijos

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