domingo, 14 de junho de 2009

Retrato de Mulher Triste




Vestiu-se para um baile que não há.
Sentou-se com suas últimas jóias.
E olha para o lado, imóvel.

Está vendo os salões que se acabaram,
embala-se em valsas que não dançou,
levemente sorri para um homem.
O homem que não existiu.

Se alguém lhe disser que sonha,
levantará com desdém o arco das sobrancelhas,
Pois jamais se viveu com tanta plenitude.

Mas para falar de sua vida
tem de abaixar as quase infantis pestanas,
e esperar que se apaguem duas infinitas lágrimas.

Cecília Meireles, in 'Poemas (1942-1959)'

3 comentários:

  1. Oi Manuel!!!
    Esta poesia tem nome e sobrenome...
    Tem um selinho pra você no meu blog,“Prêmio Mouse de Ouro"
    Até...
    Abraço, amigo.
    Ângela

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  2. Sempre tem algo que escapa na vida.
    Beijos

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  3. Cecília é fantástica!
    Essa poesia eu nunca tinha lido, mas é belíssima.
    Gostei do seu blog!

    Beijos!

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