
Não te lembras de ter encontrado na vida aquela que se considera um ídolo? Que havia ela de receber do amor? Tudo, até a tua alegria de a encontrares, se torna homenagem para ela. Mas, quanto mais a homenagem custa, mais vale: ela saborearia melhor o teu desespero.
Ela devora sem se alimentar. Ela apodera-se de ti para te queimar à sua honra. Ela é semelhante a um forno crematório. Ela, na sua avareza, enriquece-se de várias capturas, julgando encontrar a alegria nessa acumulação. E não acumula mais do que cinzas. Porque o verdadeiro uso dos teus dons era caminho de um para o outro, e não captura.
Ela verá penhores nos teus dons e abster-se-á de tos conceder em paga. Na falta de arrebatamentos que te satisfariam, a falsa reserva dela far-te-á ver que a comunhão dispensa sinais. É marca da impotência para amar, não elevação do amor. Se o escultor despreza a argila, terá de modelar o vento. Se o teu amor despreza os sinais do amor a pretexto de atingir a essência, o teu amor não passa de um palavreado. Não descuides as felicitações, nem os presentes, nem os testemunhos.Serias capaz de amar a propriedade, se fosses excluindo dela, um por um, como supérfluos, porque particulares demais, o moinho, o rebanho, a casa? Como construir o amor, que é rosto lido através da urdidura, se não há urdidura sobre a qual escrever?
Sem cerimonial de pedras, não haveria catedral.
Nem haverá amor sem cerimonial em vistas do amor. Eu só atinjo a essência da árvore se ela modelou lentamente a terra segundo o cerimonial das raízes, do tronco e dos ramos. Nessa altura, ela é una. Tal árvore e não uma outra.
Mas aquela acolá desdenha as trocas, que a haviam de fazer nascer. Ela procura no amor um objecto capturável. E esse amor não tem significado algum.
Ela julga que o amor é presente que ela pode fechar nela. Se tu a amas, é porque ela te conquistou. Ela fecha-te nela, convencida de enriquecer. Ora o amor não e tesouro a conquistar, mas obrigação de parte a parte, fruto de um cerimonial aceite, rosto dos caminhos da troca.
Jamais essa mulher nascerá. Só de uma rede de laços se pode nascer. Ela continuará a ser semente abortada, poder por empregar, alma e coração secos. Ela há-de envelhecer funebremente, entregue à vaidade das suas capturas.
Tu não podes atribuir nada a ti próprio. Não és cofre nenhum. És o nó da diversidade. O templo, também é sentido das pedras.
Antoine de Saint-Exupéry, in "Cidadela"
Conquista?
ResponderEliminarO menino de louros cabelos da cor do trigo é que bem repetiu:
serei eternamente responsável...
Cativar. Será uma «cativação» e, para continuar perto de Rubem Alves, algo que sirva comida prazerosa à inteligência. Tudo o que é gostoso para o corpo, a inteligência come, o resto... vomita. Será essa a reciprocidade.
Boa noite
Bom jantar
SOBRE O ANÚNCIO:
ResponderEliminarVC JÁ ENCONTROU, SÓ NÃO QUIS.
SOBRE O TEXTO:
FALAR É MUITO FACIL, DIFICIL É VIVER.
Manuel
ResponderEliminarCheguei um pouco atrazada hoje rsrs, mas vejo que é um sábado cheio de AMOR! E por falar nele...AMEIIII o anúncio e fiquei imaginando se houve resposta(s)e se dá para "encomendar" amor(es)...
De qualquer maneira não conseguimos viver sem ele!
Beijuuss n.c. e um ótimo fds
Regina
www.toforatodentro.blogspot.com
Um texto sempre para reler, pois amar é partilhar... também.
ResponderEliminarUm abraço
Chris
Olá Poeta! Como vai?
ResponderEliminarPrimeiro gostaria de agradecer teu carinho de sempre no meu blog e dizer-te que tive problemas com meu pc. Portanto minha ausência foi involuntária.
Mas agora está tudo resolvido!! ... Estou de volta com um pc novo! rsrs e aos poucos colocando tudo em dia!
Um grande abraço e um bom domingo!
Ro
Obrigada pela partilha do texto!Mas amar sem ser correspondido, pode sim senhor!
ResponderEliminarO ideal... são ambas as partes envolventes no seu idilio de amor.
Adorei!
BOm Domingo.
Beijos.
Não bastasse o todo, somente o título já diz tudo.
ResponderEliminarBeijos
Olá
ResponderEliminarAmar é dar e receber, não existe amor sem receber
Beijos, boa semana