
Neste corpo, a densa neblina, quase um hábito,
lentamente descida, sedimento e sede,
subtilmente o acalma. Ancora que se desloca,
movediça e infirme. Só no olhar, além
da luz e da cal, se distinguem os desejos
e a mestria das palavras. E não há remos
nem astros. Convido a neblina a esta
mesa de chumbo, onde nada levanta o fogo
solar ou os signos se alteiam. É a hora
em que o corpo treme e a sombra lavra as frouxas
manhãs. O que serão as tardes, sob a névoa,
quando o vigor agoniza e o vão das águas abre
o caos e os ecos? Estaremos em paz,
usando a palavra, última herdeira das areias.
Orlando Neves, in "Decomposição - o Corpo"
Interessante, mas complexo, falar assim de sexo!?...
ResponderEliminarVoltarei a ler para compreender melhor!
Abraço,
Manú
Que amor envolvente, quente, denso...lindo...Beijocas
ResponderEliminarPorque chamaste a esta entrada O sexo? ou será que esta pregunta não se faz exactamente como quando fazemos essa pregunta a um pintor, de um dos seus quadros?
ResponderEliminarBonito poema que fala do sexo em sua complexidade e na calma que ele trás.
ResponderEliminarbeijos
Jamais deixarei morrer a chama amigo. O frio não pode impedir a fogo da alma se manter acesso. Muito obrigada oelo seu carinho.
ResponderEliminarSandra
Que lindo poema, amigo.
ResponderEliminarSimplesmente belo.
Que lodo mais belo de poeta se tem. Amei.
Sandra
Feliz a mulher que estiver a teu lado ouvindo você emocionado, murmurando poemas... bem baixinho ao pé do ouvido, poemas enamorados de um poeta apaixonado...Lindo!
ResponderEliminarBeijão da sua Fã Aqui do outro lado do oceano.