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sábado, 13 de dezembro de 2008

Anjos do Céu;




As ondas são anjos que dormem no mar,
Que tremem, palpitam, banhados de luz...
São anjos que dormem, a rir e sonhar
E em leito d'escuma revolvem-se nus!
E quando de noite vem pálida a lua
Seus raios incertos tremer, pratear,
E a trança luzente da nuvem flutua,
As ondas são anjos que dormem no mar!
Que dormem, que sonham- e o vento dos céus
Vem tépido à noite nos seios beijar!
São meigos anjinhos, são filhos de Deus,
Que ao fresco se embalam do seio do mar!
E quando nas águas os ventos suspiram,
São puros fervores de ventos e mar:
São beijos que queimam... e as noites deliram,
E os pobres anjinhos estão a chorar!
Ai! quando tu sentes dos mares na flor
Os ventos e vagas gemer, palpitar,
Por que não consentes, num beijo de amor
Que eu diga-te os sonhos dos anjos do mar?

Álvares de Azevedo

Vida.


A vida é como uma sala de espectáculos; entra-se, vê-se e sai-se .

Aparências.


O mundo julga-nos, não pelo que somos, mas pelo que parecemos ser !

Oxalá pudéssemos meter o espírito de natal em caixas e abrir uma caixa em cada mês do ano

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Para todo o mundo.


Vivências.

Adormecer.




Vai vida na madrugada fria.

O teu amante fica,
na posse deste momento que foi teu,
amorfo e sem limites como um anjo;
a cabeça cheia de estrelas...
Fica abraçado a esta poeira que teu pé levantou.
Fica inútil e hirto como um deus,
desfalecendo na raiva de não poder seguir-te!

Manuel da Fonseca, in "Poemas Dispersos"

Desgosto.


A maior parte dos desgostos chegam depressa porque nós fazemos metade do caminho!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Artes da Zilinha .




Até ao dia 4 de Janeiro o Posto de Turismo de Constância apresenta ao público uma exposição de Presépios em Barro, denominada Artes da Zilinha.

Além de exibir as obras de arte da autoria de Isilda Aires, a realização desta exposição de Presépios em Barro pretende também assinalar a época natalícia num dos espaços turistico-culturais da Vila com maior afluência de público.

Horário:
Dias Úteis: 09h30 às 12h00 e das 14H00 às 17h30
Sábados, Domingos e Feriados: 14h30 às 18h00
Por CMC

1808



Sinopse.

A fuga da família real portuguesa para o Rio de Janeiro ocorreu em um dos momentos mais apaixonantes e revolucionários do Brasil, de Portugal e do mundo. O propósito deste livro, resultado de dez anos de investigação jornalística, é resgatar e contar de forma acessível a história da corte lusitana no Brasil e tentar devolver seus protagonistas à dimensão mais correta possível dos papéis que desempenharam duzentos anos atrás. '1808 - Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil' é o relato sobre um dos principais momentos históricos brasileiros.

Oficina Ambiental .



Abrigo para os nossos animais
Dia 13 de Dezembro
Nesta actividade vamos aprender a construir caixas-ninho em madeira para serem colocadas nas árvores, de modo a aumentar os locais de nidificação para as aves. Com a colocação das caixas-ninho incentiva-se a permanência de aves insectívoras que acabam por se alimentar de insectos que provocam grandes danos na floresta e na agricultura.

Preçário: Gratuito
Actividade com inscrição obrigatória.
Contactos
Telefone: 249 736 929
E-mail: parqueambiental@cm-constancia.pt
Por CMC

Janela do Sonho .




Abri as janelas
que havia dentro de ti
e entrei abandonado
nos teus braços generosos.

Senti dentro de mim
o tempo a criar silêncio
para te beber altiva e plena.

Mil vezes
repeti teu nome,
mil vezes,
de forma aveludada
e era a chave
que se expunha
e fecundava dentro de mim.

Já não se sonha,
deixei de sonhar,
o sonho é poeira dos tempos
é a voz da extensão
é a voz da pureza
que dardejava na nossa doçura.

Quando abri as tuas janelas
e despi teus braços
perdi a vaidade
e a pressa,
amei a partida
e em silêncio abri,
(sem saber que abria)
uma noite húmida
em combustão secreta
desmaiado no teu ombro
de afrodite.

Carlos Melo Santos, in "Lavra de Amor"

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Chorar!


Choramos ao nascer porque chegamos a

este imenso cenário de dementes.

A razão.


“Tenho prazer em ser vencido quando quem me vence é a razão, seja quem for seu procurador”.

Fernando Pessoa.

Declaração de Amor;




Esta é uma declaração de amor;
amo a língua portuguesa.
Ela não é fácil. Não é maleável.
E, como não foi profundamente trabalhada pelo
pensamento, a sua tendência é a de não ter sutileza
e de reagir às vezes com um pontapé contra
os que temerariamente ousam transformá-la
numa linguagem
de sentimento de alerteza.
E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro
desafio para quem escreve.
Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e
das pessoas a primeira capa do superficialismo.
Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado.
Às vezes assusta com o imprevisível de uma frase.
Eu gosto de manejá-la - como gostava de estar
montando num cavalo e guiá-lo pelas rédeas,
às vezes lentamente, às vezes a galope.
Eu queria que a língua portuguesa chegasse
ao máximo nas minhas mãos. e este desejo
todos os que escrevem têm.
Um Camões e outros iguais não bastaram para
nos dar uma herança de língua já feita. Todos nós
que escrevemos estamos fazendo do túmulo do
pensamento alguma coisa que lhe dê vida.
Essas dificuldades, nós as temos. Mas não falei do
encantamento de lidar com uma língua que não foi
aprofundada. O que recebi de herança não me chega.
Se eu fosse muda, e também não pudesse escrever
e me perguntassem a que língua eu queria pertencer,
eu diria: inglês, que é preciso e belo. Mas como nasci
muda e pude escrever, tornou-se absolutamente claro
para mim que eu queria mesmo era escrever em português.
Eu até queria não ter aprendido outras línguas: só
para que minha abordagem do português
fosse virgem e límpida.

Clarisse Lispector

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Ilusões.


As ilusões sustentam a alma como as asas sustentam o pássaro .

Vida!


A vida é demasiado curta para que desperdicemos uma parte preciosa a fingirmos.

Retrato do Herói




Herói é quem num muro branco inscreve
O fogo da palavra que o liberta:
Sangue do homem novo que diz povo
e morre devagar de morte certa.

Homem é quem anónimo por leve
lhe ser o nome próprio traz aberta
a alma à fome fechado o corpo ao breve
instante em que a denúncia fica alerta.

Herói é quem morrendo perfilado
Não é santo nem mártir nem soldado
Mas apenas por último indefeso.

Homem é quem tombando apavorado
dá o sangue ao futuro e fica ileso
pois lutando apagado morre aceso.

Ary dos Santos, in 'Fotosgrafias'

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Mar Morto




A noite caiu sobre o cais, sobre o mar, sobre mim...

As ondas fracas, contra o molhe, são vozes calmas de afogados.

O luar marca uma estrada clara e macia nas águas,

mas os barcos que saem podem procurar mais noite,

e com as suas luzes vão pôr mais estrelas além ...

O vento foi para outros cais levar o medo,

e as mulheres, que vêm dizer adeus e cantar,

hoje sabem canções com mais esperança,

canções mais fortes que a ressaca,

canções sem pausas onde passe uma sombra da morte...

Velhos marítimos — a terra é já a sua terra —

olham o mar mais distante e têm maior saudade...

Pára o rumor duns remos...

Não vão mais às estrelas as canções com noite, amor e morte...

Penso em todos os que foram e andam no mar,

em todos os que ficam e andam no mar também ...

E a luz do farol, lá longe, diz talvez...


Alberto de Serpa.

A Percepção do Poeta;



Sim, o que é o próprio homem senão um cego insecto inane a zumbir (?) contra uma janela fechada; instintivamente sente para além do vidro uma grande luz e calor. Mas é cego e não pode vê-la; nem pode ver que algo se interpõe entre ele e a luz. De modo que preguiçosamente (?) se esforça por se aproximar dela. Pode afastar-se da luz, mas não pode ir além do vidro. Como o ajudará a Ciência? Pode descobrir a aspereza e nodosidade próprias do vidro, pode chegar a conhecer que aqui é mais espesso, ali mais fino, aqui mais grosseiro, ali mais delicado: com tudo isto, amável filósofo, quão mais perto está da luz? Quão mais perto alcança ver? E contudo, acredito que o homem de génio, o poeta, de algum modo consegue atravessar o vidro para a luz do outro lado; sente calor e alegria por estar tão mais além de todos os homens (?), mus mesmo assim não continuará ele cego? Está ele um pouco mais perto de conhecer a Verdade eterna?

Fernando Pessoa, in 'Ideias Estéticas'