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domingo, 17 de maio de 2009

De Antwerpen.


A vida não é feita só de lembranças. Ela continua emocionante nas promessas diárias, nos pequenos gestos que fazem a alegria dos que caminham sempre juntos.

sábado, 16 de maio de 2009

[I' important c'est la rose...]

Imaginação!


Imaginação: um armazém de factos gerido em parceria pelo poeta e pelo mentiroso !

Esta Gente , essa Gente !




O que é preciso é gente
gente com dente
gente que tenha dente
que mostre o dente

Gente que não seja decente
nem docente
nem docemente
nem delicodocemente

Gente com mente
com sã mente
que sinta que não mente
que sinta o dente são e a mente

Gente que enterre o dente
que fira de unha e dente
e mostre o dente potente
ao prepotente

O que é preciso é gente
que atire fora com essa gente

Essa gente dominada por essa gente
não sente como a gente
não quer
ser dominada por gente

NENHUMA!

A gente
só é dominada por essa gente
quando não sabe que é gente

Ana Hatherly

sexta-feira, 15 de maio de 2009

On my own.

(Les miserables.)

Tempo!


O Homem não tem porto, o tempo não tem margem; ele corre e nós passamos!

Conserto a Palavra .




Conserto a palavra com todos os sentidos em silêncio
Restauro-a
Dou-lhe um som para que ela fale por dentro
Ilumino-a

Ela é um candeeiro sobre a minha mesa
Reunida numa forma comparada à lâmpada
A um zumbido calado momentaneamente em exame

Ela não se come como as palavras inteiras
Mas devora-se a si mesma e restauro-a
A partir do vómito
Volto devagar a colocá-la na fome

Perco-a e recupero-a como o tempo da tristeza
Como um homem nadando para trás
E sou uma energia para ela

E ilumino-a

Daniel Faria

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Verdades.


"Existem verdades que nós só as podemos dizer, depois de ter-mos conquistado o direito a dizê-las.

"Gaivota, do álbum Amália Hoje"

Contos pequeníssimos.






esta grandeza de não a ter
é mais pequena que a de não desejar tê-la

e se o preço de participar é grandeza
não contem comigo
não participo
não participo nem contra grandeza

nasci ar
em forma de gente

nasci luz
em forma de gente

não me compreendo
e respiro-me
e vejo-me textual

a forma de gente faz-me agir fora do que nasci ar
fora do que nasci luz

e nasci ar para forma de gente
e nasci luz para forma de gente

nasci antes de mim
antes de forma de gente

era génio antes de nascer
em forma de gente
a forma de gente não me deixa ser o génio que nasci.

José de Almada Negreiros

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Bilhete.



Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...

Mário Quintana

Dia Internacional dos Museus.


Constância assinala o Dia Internacional dos Museus
De 18 a 22 de Maio
O Dia Internacional dos Museus é comemorado em todo o mundo, a 18 deMaio, sendo que todos os anos o Conselho Internacional de Museus (ICOM -International Council of Museums) estipula um tema para este dia. Museus e Turismo é o lema proposto pelo ICOM para o ano de 2009.

Este lema tem como principal objectivo a disseminação da ideia de que o turismo deve desenvolver-se no respeito pelas culturas de todo o mundo, tanto noque se relaciona com o património material, como com o património cultural imaterial.

Deste modo, o Município de Constância associa-se às comemoraçõesinternacionais, promovendo à semelhança dos anos anteriores, visitas gratuitas ao Museu dos Rios e das Artes Marítimas, no dia 18 de Maio, entre as 9.00h - 12.30h eas 14.00h - 17.30.

A iniciativa prolonga-se até ao dia 22 de Maio dirigindo-se especialmente aopúblico infantil e juvenil, que após a visita guiada ao Museu dos Rios, participaránum ateliê sobre as antigas actividades fluviais. Esta actividade realiza-se no Museu dos Rios e das Artes Marítimas, das 14.00h às 17.30h, pretendendo sensibilizar oseu público para a importância dos Museus na recolha, estudo, exposição edivulgação do património cultural.

Para informações ou esclarecimentos adicionais devem os interessadoscontactar o Museu dos Rios e das Artes Marítimas, através dos números de telefone249 730 053 / 249 736 234 ou via correio electrónico para museu.rios@cmconstancia.pt.
Por CMC

8ª Quinzena do Desporto em Constância



19 a 31 de Maio
De 19 a 31 de Maio, a Câmara Municipal de Constância, através do Sector de Desporto, organiza a 8ª Quinzena do Desporto, um evento que terá lugar nos seguintes equipamentos municipais: Pavilhão, Ginásio, Piscina, Campo de Ténis, Campo de Volei de Praia e na área dos Percursos de Observação e Interpretação da Natureza.

Badminton, Basquetebol, Futebol, Ginástica, Karaté, Ténis de Mesa, Hidroginástica, Natação, Triatlo Jovem, Cardiofitness, Musculação, Volei de Praia e Percursos de Observação e Interpretação da Natureza são as várias modalidades que constituem a iniciativa.

As actividades estão abertas à participação da população em geral, aos alunos da Escola Municipal de Natação, aos utilizadores das instalações desportivas municipais e às crianças do concelho.

Para obter mais informações sobre o evento e o respectivo programa deverão ser contactos os seguintes serviços: Pavilhão Desportivo Municipal (249 730 059) ou a Piscina Municipal (249 739 627).

Com a organização da 8ª Quinzena do Desporto, a Câmara Municipal de Constância pretende potenciar as valências do Pavilhão Desportivo Municipal, da Piscina Municipal, do Ginásio Municipal, do Campo de Ténis, do Campo de Volei de Praia e a própria natureza, sensibilizando a população para a prática desportiva, proporcionando simultaneamente a realização de eventos, numa vertente de espectáculo lúdico-desportivo.

Mais desporto, melhor vida!
Por CMC

Pequenas coisas.


As pequenas coisas parecem insignificantes, mas dão-nos a paz ...

terça-feira, 12 de maio de 2009

Nas florestas incendiadas.



Nas florestas incendiadas da paixão ardente
se iluminam os espíritos se acendem os corpos
dos entregues ao amor inteiramente

Alimentados nos fossos amaldiçoados do ódio
território único experienciado pela mente
se aniquilam no âmago os mordazes
em invisível estertor agoniante

Os viciados em inerte mansidão
lúgbre vazia sub-reptícia
se arrastam no seu lamacento existir
em patética adulação dos deuses
oficialmente instituídos
tendo por ídolos nos seus altares
estatutos protocolos medalhas imerecidas

As oferendas imoladas em rituais de vingança e cobiça
são os audaciosos da entrega a um amor
sem contrapartida vivido com galhardia
autores de emoções na pátria de um eu genuíno

Os cegos do sentir órfãos do gostar
têm por missão apagar as luzes da alegria
secar as fontes mágicas do revigorar em a outrem se doar

Odeiam os provocadores das marés
os incapazes de enfrentar

................. o mar

Lurdes Mendes da Costa

Tolices (minhas).


Há tolices bem embaladas, assim como há tolos bem-vestidos .

Literatura.


Último Acto em Lisboa – Robert Wilson



1941. Klaus Felsen, o proprietário de uma fábrica em Berlim, é forçado a alistar-se nas SS e a dirigir-se a Lisboa, cidade de luz, onde ao ritmo dos dias convergem nazis e aliados, refugiados e especuladores, todos dançando ao compasso do oportunismo e do desespero. A sua missão é infiltrar-se nas geladas montanhas do Norte de Portugal, onde se trava uma luta traiçoeira pelo volfrâmio, elemento essencial à blitzkrieg de Hitler. Aí encontra Manuel Abrantes, o homem que põe em movimento a roda de ambição e vingança que irá girar até ao final do século.

Final dos anos 1990. O inspector Zé Coelho, da Polícia Judiciária, investiga o crime sexual cometido contra uma jovem adolescente em Lisboa. Esta pesquisa conduzirá Coelho por terrenos lodosos da História a um crime mais antigo – enterrado com os ossos de um passado de fascismo – e a um pavoroso motivo enterrado ainda mais fundo. E, uma vez à superfície, o passado e o presente irão convergir com implicações arrepiantes e consequências insondáveis

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Juventude.


A juventude passa e o crepúsculo espalha-se no seu sorriso. A vida, exilada do seu sonho é uma viagem sombria

D.Pedro.



Quando um homem, vencendo o costume vigente,
Fiel ao seu amor se mostra e, coerente,
Quando ama para além da morte e, dum passado
P' ra ele intemporal e portanto presente,
Constrói a eternidade
O mundo não entende a raridade:
Vem a nação chamar-lhe tresloucado
E a História rotulá-lo de demente.

Júlia Lello

O elétrico.



Com a mão de fora, o velhinho apanhava as folhas das árvores. Via nas faixas de rodagem camufladas com as folhas das árvores e dava grandes gargalhadas, como se o outono fosse dele. Sentados no mesmo banco, o rapaz e o velhinho eram os únicos passageiros do carro elétrico. Todos os outros bancos, incluindo os laterais, e ambas as plataformas, estavam ocupados por hirtos e silenciosos ramos de flores.
— O senhor tem sorte — disse o rapaz ao velhinho. — Conseguiu o melhor lugar. Um dia, quando casar, como afirmou Saroyan, nunca mais apanhará o lugar da janela.
O velhinho piscou um olho malicioso, de bom vidro alemão de antes do III Reich.
— Hei de manter-me solteiro para aproveitar e gozar uma senilidade tranqüila. Não me quero privar nem das janelas, nem do amor.
— Viaja há muito tempo neste carro?
— Oh, sim. Desde o tempo em que os "elétricos" falavam.
As ruas solitárias e envolvidas por um rastro de fumo azulado tinham amanhecido cobertas da minúscula flor do miosótis. Trepadeiras gigantes revestiam os prédios. Bisbilhoteiros cachos de buganvílias debruçavam-se das varandas. Nas paragens, nervosos girassóis e rosas petulantes aguardavam em bicha o seu transporte popular. E as folhas iam caindo com tal precisão que formavam grandes livros alinhados pelas avenidas. Às vezes, um sopro de vento vindo das montanhas virava-lhes as páginas vegetais até aos capítulos mais empolgantes. O mês de novembro escorria como azeite com um grau de acidez. O sol, aquecido em lume brando, empapava a cidade.
— E que fazia o senhor antigamente, antes de viajar de carro elétrico? — perguntou o rapaz.
Tinham chegado à praça da Tulipa Negra. A estátua da tulipa erguia-se majestosa e isolada no centro da rotunda. Nas esplanadas, aproveitando o verão de São Martinho, os goivos e os gerânios que faziam parte da tripulação de um barco surto no rio, os malvaíscos da Alfândega, os cóleos da estiva e as margaridas dos escritórios das redondezas, aproveitando a hora do almoço, bebiam grandes copos de água. Dois amores-perfeitos beijavam-se junto à estátua, enquanto pequenos narcisos, de uma escola primária, ouviam atentamente as explicações de uma jovem papoila aberta em vermelho à sua erudição.
— Antes de viajar de carro elétrico — respondeu, por fim, o velhinho — era industrial. Fabricava bolas de sabão. Uma ciência que vinha então de pais para filhos. Aparentemente fácil, como transformar o ouro em cobre. Mergulha-se um canudo na água do sabão e depois soprava-se. Assim... — o velhinho encheu as bochechas. — Da minha fábrica saíam por dia, para os cincos cantos do mundo, as mais vistosas bolas de sabão produzidas no país. O céu da cidade era um deslumbramento de balões coloridos, transparentes, diáfanos. Enquanto espetavam o nariz no ar, os homens não metiam o nariz nos problemas dos outros. E as mulheres tinham uns olhos mais belos por os abrirem desmedidamente à fantasia policrômica do espaço. Durante à noite havia milhares de luas que se precipitavam com suaves estampidos pelas chaminés das casas e vinhas aureolar nos jardins a cabeça dos notívagos, dos vagabundos e dos namorados.
— E ganhava muito dinheiro com isso, senhor?
— Oh, não — suspirou o velhinho. — Os poetas não ganham dinheiro. Um dia tive que fechar a fábrica. Os poetas não ganham dinheiro. Já nem me fiavam o sabão. Tentei ainda, numa água furtada, produzir bolas mais econômicas. Mas não há ersatz (1) para a beleza. As bolas saiam defeituosas; bicudas, quadradas, pálidas, efêmeras. Subiam apenas à altura da cabeça dos homens, excessivamente baixo. As bolas já não tinham vida, nem transportavam no colorido a mensagem de uma cidade de meninos. Nem saltitavam nos telhados, nem entravam pelas janelas, nem rebolavam nas camas, nos tapetes de relva, no empedrado, nos caracóis dos petizes. E a multidão ria das minhas bolas. E eu pensei que a cidade já não merecia as minhas bolas de sabão. Os poetas não ganham dinheiro.
O "elétrico" deteve-se subitamente. Cóleos, begônias e lobélias tombaram para diante.
— Mas ainda tenho uma das primeiras, das autênticas.
O rapaz viu o velhinho tirar do bolso um frasco e um tubo de plástico, e soprar através do tubo.
Uma rutilante bola de sabão ficou momentaneamente suspensa no ar. Mais pequena, uma lágrima do velhinho tombou do olho de vidro alemão de antes do III Reich.
Então o rapaz disse, em voz baixa:
— Bem, avô, é altura de acabarmos com esta farsa.
E com um movimento, rebentou a bola de sabão. Como se tivesse rebentado um enorme caleidoscópio. A campainha tocou, puxada energicamente pelo condutor.
O velhinho sorriu a sua tristeza murcha e fechou a janela, enregelado. O "elétrico" pôs-se em marcha, as flores desapareceram, e os passageiros, empurrando-se, começaram todos a falar ao mesmo tempo.

Santos Fernando