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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O Juízo Final




Chegou o miserável milionário no céu e, impacientemente, esperou a sua vez de ser julgado. Introduziram-no numa sala, noutra sala, noutra sala, até que se viu frente a uma luz ofuscante, na qual pouco a pouco foi dintinguindo a figura santa do pai dos Homens. Em voz tonitroante este, tendo à direita, Pedro, e, à esquerda, uma figura que ele não conhecia, julgou sumariamente dois outros pecadores que estavam à sua frente. E, afinal, dirigiu-se a ele:
- Que fez você de bom na sua vida ?
- Bem, eu nasci, cresci, amei, casei, tive filhos, vivi.
- Ora - disse o Senhor - isso são actos sociais e biológicos a que você estava destinado. Quero saber que bondade específica e determinada você teve para com o seu semelhante.
- Bem - disse o milionário - eu criei indústrias, comprei fazendas, dei emprego a muita gente, melhorei as condições sociais de muita gente.
- Não, isso não serve - disse o Todo-Poderoso - essas acções estavam implícitas ao acto de você enriquecer. Você as praticou porque precisava viver melhor. Não foram intrinsecamente boas acções, desprendidas, não servem.
O milionário escarafunchou o cérebro e não encontrou nada. Em verdade, passara uma vida egoísta, pensando apenas em si mesmo. Nunca o preocupara seu semelhante, nunca olhara para o ser humano a seu lado senão como uma fonte de lucro para as suas indústrias. Mas, de repente, lemboru-se das obras de filantropia.
- Ah - disse, puxando uma caderneta - aqui está. Uma vez dei cem cruzeiros para uma velhinha da Casa dos Artistas, outra vez contribuí com duzentos cruzeiros para o Hospital dos Alienados e outra vez contribuí com quinhentos cruzeiros para a Fundação das Operárias de Jesus.
- Só ? - perguntou Deus.
- Só - disse o milionário contrafeito.
- Josué! - gritou o Todo-Poderoso -, dê oitocentos cruzeiros ao cavalheiro aqui e que vá para o Inferno.
Moral: Amor com amor se paga e o dinheiro com dinheiro também.

Millôr Fernandes, in "Pif-Paf"

estradas...


Estrada fora
percorro o meu caminho,
o mundo não para,
gira.
Vou por caminhos que me levam,
outros me trazem
Existem várias direcções:
No levar,
no trazer,
no amor
e no prazer.
Cruzo-me com a vida,
solitária,outras vezes nem tanto...
Cruzamentos que me afastam,
me empurra
para a solidão.
Sigo...
Vou não vou.
Semáforos que se acendem
outros que se apagam.
Um turbilhão de idéias,
a vida sempre presente,
e o mundo girando.
Um rumo,
esperança
partir,
ir,mas não fugir
ou ficar para sempre
nesta angústia constante!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A Alienação Parental



vai ser tema de debate em Constância no próximo dia 25 de Novembro

• Maria Saldanha Pinto Ribeiro, Ana Baptista e Fátima Duarte são as oradoras convidadas

No próximo dia 25 de Novembro a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Constância vai dinamizar a 5º Encontro Confluências, subordinado ao tema A Alienação Parental, uma iniciativa que decorre no Auditório do Cine-Teatro Municipal de Constância, pelas 14.30H.

A Sessão de Abertura do 5º Encontro Confluências vai contar com a presença do Dr. António Marques, Presidente da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Constância e do Dr. Máximo Ferreira, Presidente da Câmara Municipal de Constância.

A Dra. Ana Baptista, Jurista e a Dra. Fátima Duarte, Psicóloga, ambas da Comissão Nacional de Crianças e Jovens em Risco serão as duas oradoras do primeiro painel. No que concerne ao segundo e último painel terá como oradora a Dra. Maria Saldanha Pinto Ribeiro, Psicóloga, Mediadora Familiar e Presidente do Instituto Português de Mediação Familiar, ao que se seguirá um espaço de debate.

A participação no 5º Encontro Confluências – A Alienação Parental é gratuita, devendo os interessados proceder à respectiva inscrição até ao próximo dia 19 de Novembro, através do telefone 249 736 476, do número de telemóvel 969 856 177 ou através do e-mail cpcj.constancia@gmail.com.
Por CMC

Literatura.


Ilusões Perdidas”
“Ora aqui está ele, um dos monstros sagrados da Literatura de todos os tempos. Morreu com 49 anos, media um metro e meio, escrevia da meia-noite às oito da manhã, rodeado de candelabros e alimentado a café, e deixou uma obra única.
Fica-se cheio de admiração pela capacidade que este homenzinho tem de construir um mundo, ele que considerava o romance a ‘História Privada das Nações’ e achava indispensável ter remexido em toda a vida social para ser um verdadeiro escritor. Depois de Balzac a Literatura evoluiu imenso mas o seu lugar é eterno, seja o que for que a palavra signifique.”

Acordar.


Amanhece,
acordo para a vida.
Fecho a montra dos sonhos,
aceito as coisas,
nada deito fora,
guardo tudo dentro de mim...
Passado,
distante,
ontem.
Ao acordar,tudo faz sentido
Quando é de manhã,torno-me parte dessa manhã
Sonhos
pensamentos
ilusões
neste mundo cão
onde ao abrir os olhos
tudo o que quero,
é não saber viver
sem ser o que sou,
sentir-me livre
neste novo amanhecer...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Boas Notícias...já não era sem tempo!



Um estudo recente conduzido pela Universidade Técnica de Lisboa mostrou que cada português caminha em média 440 km por ano.

Outro estudo feito pela Associação Médica de Coimbra revelou que, em média, o português bebe 26 litros de Vinho por ano.

Conclusão:
Isto significa que o português, em média, gasta 5,9 litros aos 100km, ou seja ... é económico!



...Afinal, nem tudo está mal, neste País!

Não se nasce leitor


Não se nasce leitor: literatura para a infância e juventude

Acção de Formação em Constância
• 27 e 28 de Novembro

Não se nasce leitor: literatura para a infância e juventude, é o título da acção de formação que vai decorrer em Constância, nos próximos dias 27 e 28 de Novembro, uma organização do Município de Constância, através da Biblioteca Municipal Alexandre O´Neill, com o apoio da Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas.

Os objectivos desta acção de formação são os seguintes: conhecimento de literacia em Portugal; dominar as premissas que norteiam a promoção da leitura; aprofundar os saberes relativos à literatura existente em Portugal e no estrangeiro para crianças e jovens ; animar uma colecção de livros ou uma pequena biblioteca.

Dinamizada por Rui Marques Veloso, a acção destina-se a animadores sócio-culturais, bibliotecários, professores, educadores e técnicos de biblioteca. A iniciativa terá a duração de 15 horas e decorrerá na sala polivalente da Biblioteca Municipal Alexandre O’Neill e no Cine-Teatro Municipal de Constância, a partir das 9.00H.

As inscrições para esta acção são limitadas, até ao número máximo de 25 participantes, e podem efectuar-se até ao dia 20 de Novembro na Biblioteca Municipal Alexandre O’Neill.

Para informações ou esclarecimentos adicionais devem os interessados contactar a Biblioteca Municipal Alexandre O´Neill através do número de telefone 249 739 367 ou via correio electrónico para biblioteca@cm-constancia.pt.


Leia mais. Viva mais.

Por CMC

Túnel...


Escavando,
entro nas minhas entranhas
procuro algo gravado
no fogo da minha alma.
Não sinto dentro de mim,
o que me faz ser eu,
apenas escuridão.
Luz,
com o teu calor,faz derreter
a frieza, que envolve
meu coração.
Vai ao centro do labirinto
abraçar o vazio,
que lá bem no fundo,eu sinto
perdido ,
amedrontado
e frio.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

No obscuro desejo .




no obscuro desejo,
no incerto silêncio,
nos vagares repetidos,
na súbita canção

que nasce como a sombra
do dia agonizante,
quando empalidece
o exterior das coisas,

e quando não se sabe
se por dentro adormecem
ou vacilam, e quando
se prefere não chegar

a sabê-lo, a não ser,
pressentindo-as, ainda
um momento, na aresta
indizível do lusco-fusco.

Vasco Graça Moura

Alma.


A alma é uma coisa que a espada não pode ferir, o fogo não pode destruir, que as águas não podem maltratar, que o vento de meio-dia não pode secar ...

Emoções sentidas.


Sentimentos
histórias,
outras vidas.
Novos horizontes
novos mundos,
outras fontes.
Ser mais forte,
novas emoções.
Conhecer o que não conheço,
amar e ser amado
sentir dentro de mim
o nascer de outra vida
A forma de outro ser,
o querer
o não querer
de ser assim...

domingo, 15 de novembro de 2009

Profecia




Nem me disseram ainda
para o que vim.
Se logro ou verdade,
se filho amado ou rejeitado.
Mas sei
que quando cheguei
os meus olhos viram tudo
e tontos de gula ou espanto
renegaram tudo
— e no meu sangue veias se abriram
noutro sangue...
A ele obedeço,
sempre,
a esse incitamento mudo.
Também sei
que hei-de perecer, exangue,
de excesso de desejar;
mas sinto,
sempre,
que não posso recuar.

Hei-de ir contigo
bebendo fel, sorvendo pragas,
ultrajado e temido,
abandonado aos corvos,
com o pus dos bolores
e o fogo das lavas.
Hei-de assustar os rebanhos dos montes
ser bandoleiro de estradas.
— Negro fado, feia sina,
mas não sei trocar a minha sorte!

Não venham dizer-me
com frases adocicadas
(não venham que os não oiço)
que levo caminho errado,
que tenho os caminhos cerrados
à minha febre!
Hei-de gritar,
cair, sofrer
— eu sei.
Mas não quero ter outra lei,
outro fado, outro viver.
Não importa lá chegar...
O que eu quero é ir em frente
sem loas, ópios ou afagos
dos lábios que mentem.

É esta, não é outra, a minha crença.
Raios vos partam, vós que duvidais,
raios vos partam, cegos de nascença!

Fernando Namora, in "Relevos"

Esta noche contigo.

Objectivos de Vida




Não te deixes distrair com os incidentes que te chegam de fora! Reserva-te um tempo livre para aprender qualquer coisa de bom e deixa-te de flanar sem rumo! Já é tempo de te guardares doutra sorte de vagabundeio. Bem loucos, com efeito, são aqueles que, por serem topa-a-tudo, sentem o cansaço da vida e não têm um fim a que dirijam os seus esforços e, para o dizer de uma vez, as suas ideias.

Marco Aurélio (Imperador Romano), in "Pensamentos"

sábado, 14 de novembro de 2009

Michael Nyman.

Todos Nós...


Todos Nós Hoje Nos Desabituamos do Trabalho de Verificar .

Todos nós hoje nos desabituamos, ou antes nos desembaraçamos alegremente, do penoso trabalho de verificar. É com impressões fluídas que formamos as nossas maciças conclusões. Para julgar em Política o facto mais complexo, largamente nos contentamos com um boato, mal escutado a uma esquina, numa manhã de vento. Para apreciar em Literatura o livro mais profundo, atulhado de ideias novas, que o amor de extensos anos fortemente encadeou—apenas nos basta folhear aqui e além uma página, através do fumo escurecedor do charuto. Principalmente para condenar, a nossa ligeireza é fulminante. Com que soberana facilidade declaramos—«Este é uma besta! Aquele é um maroto!» Para proclamar—«É um génio!» ou «É um santo!» of erecemos uma resistência mais considerada. Mas ainda assim, quando uma boa digestão ou a macia luz dum céu de Maio nos inclinam à benevolência, também concedemos bizarramente, e só com lançar um olhar distraído sobre o eleito, a coroa ou a auréola, e aí empurramos para a popularidade um maganão enfeitado de louros ou nimbado de raios. Assim passamos o nosso bendito dia a estampar rótulos definitivos no dorso dos homens e das coisas. Não há acção individual ou colectiva, personalidade ou obra humana, sobre que não estejamos prontos a promulgar rotundamente uma opinião bojuda E a opinião tem sempre, e apenas, por base aquele pequenino lado do facto, do homem, da obra, que perpassou num relance ante os nossos olhos escorregadios e fortuitos. Por um gesto julgamos um carácter: por um carácter avaliamos um povo.

Eça de Queirós, in 'A Correspondência de Fradique Mendes'

Limite.


Céu
estrelas cadentes
me conduzem,
cometas activos,
planetas
percorro o universo.
Sigo a linha do horizonte
aurora boreal,
luzes coloridas
brilhantes.
Céu
infinito
longínquo,
afastado de mim.
Levanta-me o teu véu,
deixa-me penetrar em teus segredos
pois o meu limite és tu.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Privações.

Sexta feira 13.

Refúgio.


Quarto velho,distante no tempo
refúgio.
Olho o mar nocturno,
distâncias
metáforas que nos aproximam,
solidão.
Mar que me embala,
recordação,
infância.
Refugiu-me
nada vejo
nada tenho.
Metáforas ajudam a eliminar,
o que nos separa...
Quando a lua fica azul
tudo escurece
desaparece
tudo acaba.
No meu quarto velho,
distante
vazio
entre quatro paredes
escondo-me
reduzindo as distâncias
procuro novos caminhos
novas estradas...