
Não há maneira. Por mais boa vontade que tenham todos, uma discussão nesta santa terra portuguesa acaba sempre aos berros e aos insultos. Ninguém é capaz de expor as suas razões sem a convicção de que diz a última palavra. E a desgraça é que a esta presunção do espírito se junta ainda a nossa velha tendência apostólica, que onde sente um náufrago tem de o salvar. O resultado é tornar-se impossível qualquer colaboração nas ideias, o alargamento da cultura e de gosto, e dar-se uma trágica concentração de tudo na mesquinhez do individual.
Miguel Torga, in "Diário (1940)"
6 comentários:
Se assim é, deve-se falar disso para quem sabe poder aproveitar melhor as ideias, porém acho que este não é um mal só da Santa Terra Portuguesa. Vejo muito disso por aqui.
beijos
[já vem no código genético; linha de montagem para Portugal: sem alterações substanciais... e cumprimentos para o planeta Terra]
um imenso abraço, Manuel
Leonardo B.
Olá querido amigo,
Muito a propósito lembrei-me:
PORQUE GRITAMOS AO DISCUTIR!?...
Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos:
'Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?'
'Gritamos porque perdemos a calma', disse um deles.
'Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?' Questionou novamente o pensador.
'Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça', disse outro discípulo.
E o mestre volta a perguntar: 'Então não é possível falar-lhe em voz baixa?'
Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador.
Então ele esclareceu:
'Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecido?' O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância.. Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não gritam. Falam suavemente. E por quê? Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena. Às vezes estão tão próximos os seus corações, que nem falam, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta. Seus corações se entendem. É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.'
Por fim, o pensador conclui, dizendo:
'Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta'.
(Mahatma Gandhi)
Já conhecias?
Beijinhos,
Manú
Ah, caro amigo, então a herança foi muito bem recebida por aqui, pois somos iguais!
Lamentável!
abs carioca
Isso existe em todos os lugares, não é um ‘privilégio’ dos portugueses, não! Você já parou pra pensar que quanto mais baixo falam as pessoas, mais nos esforçamos para ouvi-las? Mais silêncio fazemos? E isso, numa briga, deve irritar muito a parte contrária... É uma arma, uma bela arma que desarma.
Bjs
Tais Luso
Concordo com nossa querida Tais...o grito é sempre o brado daquele que perdeu-se...pq perdeu a razão, o rumo, a postura...mas isso não acontece só "na terrinha", amigo Manuel...assim como a sabedoria descrita por nossa amiga pode ser amplamente usada em todo canto que há gente (briguenta, então, nem se fla!...rsrs)
Beijos
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